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A Metafunção COMPOSICIONAL de Kress e van Leeuwen (1996)

Dando prosseguimento a última parte da gramática visual de Kress e van Leeuwen (1996).  Se você perdeu as duas primeiras partes, clique a seguir na PARTE 01 e PARTE 02.
Agora falaremos da Metafunção Composicional que classifica as imagens conforme a organização textual e da presença ou ausência de elementos-chave para a compreensão do leitor. Basicamente iremos verificar que mais uma vez a gramática nos mostra o foco que é dado nessas imagens com base naquilo que se quer mostrar, como nada é construído sem um propósito maior, sem uma intenção de convencer.
Abaixo vemos a subdivisão dessa classificação segundo Kress e van Leeuwen (1996):
Agora, como de praxe aqui no blog, iremos explicar e exemplificar com imagens cada um desses conceitos separadamente:

1 - Valor de informação — os elementos na imagem tem uma posição polarizada na imagem e trazem informações que se relacionam com o que é mostrado do lado oposto.
Ideal - é a informação principal que a imagem deseja transmitir.
Lopes (2010), baseado na teoria da gramática visual de Kress e van Leeuwen (2000), criou a imagem abaixo que explica a relação do posicionamento do texto em imagens. Diante dela fica mais simples entender o posicionamento de muitos textos que vemos na internet, mais precisamente anúncios e capas de revistas. Vale ressaltar que nem todos esses elementos serão sempre encontrados, uma imagem pode apresentar apenas alguns deles.
Logo abaixo temos um exemplo contendo o ideal e o real. O que mais chama a atenção é uma frase ousada, porém se o leitor prestar atenção e ler as letras miúdas, propositalmente reduzidas pelo autor, verá que a mensagem nada tem a ver com o que parece ser.

Agora um exemplo de dado e novo. De um lado a 'garota da laje' (Cariúcha) quando participou do programa Profissão Repórter (o dado), depois como ela está hoje (o novo).

O centro de uma imagem é onde estará situada a informação essencial que une todos os elementos da imagem.

Em resumo, o valor da informação atribui uma importância diferente a um elemento dependendo de onde ele se encontra na imagem.

2 - Saliência — (minha 5ª série apitou aqui. Mas não é nada disso que você está pensando. 😅) A saliência vem do próprio sentido prático da palavra, aquilo que é mais proeminente, que se destaca e chama a atenção. Nisso podemos dizer ser aquele elemento da imagem cujo destaque se dá pelo tamanho, iluminação, brilho ou qualquer outro recurso que cause um destaque maior em relação aos demais elementos.

3 - Estruturação - Quando a relação dos elementos presentes na imagem ocorre de modo a produzir um sentido. A conexão desses elementos produzem ou alteram significados que sozinhos eles não conseguiriam. Veja abaixo alguns exemplos:
No meme "Math Lady", muito conhecido no Brasil e nos EUA, temos várias imagens que sugerem que a personagem Nazaré Tedesco está com problemas de raciocínio.

E como seria a Santa Ceia em tempos de pandemia de covid-19?

Do mais desprovido de inteligência ao gênio.

Note que em todos os casos, a relação das imagens produziram um sentido que não está explícito textualmente nelas. Daí vem o conceito de estruturação.
Vale lembrar que os textos visuais têm sentidos diferentes em diferentes culturas. Alguns podem ter um sentido aqui no Brasil e outro em outro país, ou até nenhum sentido. Podendo haver diferença semântica até mesmo dentro do território nacional.

Espero que tenham se divertido com esta postagem tanto quanto eu me diverti em faze-la. Nos veremos na próxima postagem deste blog. Inté!

Referências:
DOS SANTOS COSTA, Giselda; CEFET-PI-UNED, Floriano. LETRAMENTO VISUAL: DA WEB AO CELULAR
KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading images: the grammar of visual design.
London, New York: Routledge, [1996], 2006.

Autor: Joe Carvalho

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